
Geralmente quando vamos assistir a uma peça, antes de começar, no telão passa dicas de outras montagens que podem te interessar. E foi assim que O Colecionador de Crepúsculos me levou ao Teatro Frei Caneca, no último domingo a tarde. E também pelos prêmios que ganhou.
Eu estava realmente empolgada e ansiosa para super ver esta peça, e a expectativa era das melhores.
O roteiro é baseado na obra de Luis Câmara Cascudo, com contos escolhidos para compor a história. Dentre eles, os mais interessantes são O Compadre da Morte e A Menina que foi Enterrada Viva.
O conto central é um dos que citei acima, O Compadre da Morte, no qual um caipira muito pobre quer arrumar uma madrinha para seu filho recém nascido. Ele logo encontra uma madrinha, A Morte, que se aceita e, em troca, lhe faz um médico famoso, capaz de saber se o futuro do doente com ajuda de sua comadre.
Porém, acredito que nos outros contos faltou algo que realmente envolvesse o espectador em todo aquele universo, que está ali diante dos olhos, mas não empolga
.
O elenco é grande e conta com 24 atores no palco. Mas quero dar destaque para algumas atuações.
Marcos Oliveira, que faz o caipira, está ótimo e um dos atores que mais criam laços com o público.
Selma Egrei representa mais de um personagem e também está muito bem.
O ator que interpretou o filho mais velho de Marcos Oliveira, Giovani Tozi, é um grande destaque, fantástico em cena. Ele me faz pensar que realmente mereceu o prêmio de melhor Ator Coadjuvante no Prêmio Femsa.
Nas cenas que todos os atores estavam no palco, senti falta de um ingrediente que se chama energia. Queria sentir mais a vibração de cada um deles, pois um pouco do papel do ator em palco é transmitir a energia daquele personagem, daquele universo, trocar energia com o público. E isso está faltando, entende?
Falando de figurino e cenografia, tudo é sensacional, trabalhado com muita maestria.
A peça traz também efeitos muito bonitos e inusitados, sem contar que a composição de objetos e efeitos eram bem práticos de utilizar, sem necessitar de muito esforço por parte dos atores. É surpreendente. Principalmente na parte da Mãe D’Água.
Por fim, a peça não é tudo o que eu esperava em relação à história, mas é um espetáculo bonito e muita gente que estava na sessão adorou.
O encerramento com a despedida e agradecimentos dos atores é lindo. Simples e conquistador, foge do convencional. Não vou falar pra não perder a graça á quem pretende assistir.
Então acho que vale a pena conhecer e tirar suas próprias conclusões.
A temporada de O Colecionador de Crepúsculos vai até dia 28 de novembro.

O Colecionador de Crepúsculos
Em cartaz até o dia 28 no Teatro Shopping Frei Caneca
Ingresso: R$ 40
Duração: 90 minutos
Endereço: Rua Frei Caneca, 569 – 6º andar – Consolação
Texto e Direção: Vladimir Capella
Cenografia: J.C. Serroni
Figurinos: J.C. Serroni e Telumi Hellen
Músicas originalmente compostas e Direção Musical: Dyonísio Moreno
Iluminação: Davi de Brito e Vânia Jaconis
Assistente de Direção: Rodrigo Velloni
Preparação Corporal: Deborah Serretiello
Visagismo: Leopoldo Pacheco
Manipulação de Bonecos: Wanderley Piras
Elenco: Selma Egrei, Marcos Oliveira, Guilherme Sant’Anna, Carolina Capacle, Giovani Tozi, Helga Baeta, Luciano Schwab, Nicolas Trevijano, Samanta Precioso, Alex Cabrera, Debora Rebecchi, Erika Crudo, Luana Melo, Bárbara Garcia, Pedro Inoue, Rafael Sola, Raphael Montagner, Rodolfo Aiello, Sabrina Petraglia, Emerson Ribeiro, Gustavo Araújo, Luian Borges e Wilson Feitosa.
Participação Afetiva de Rolando Boldrin na voz de Câmara Cascudo.
Narração Final de Guilherme Sant’Anna
Programação Visual: Natasha Precioso
Fotografia: Thaís Antunes
Criação e Confecção dos Bonecos: Giuliana Pellegrini, J.E.Tico e Majori Alencar
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novembro 19th, 2010
O que chama a atenção nessa peça é também a trilha sonora, que é muito boa.